O que é vegetarianismo?
Sérgio Greif
23 Setembro 2011 - Olhar Animal - 01/10 Dia Mundial do VEGETARIANISMO!
Vegetarianismo é a corrente dietética que estipula a alimentação exclusivamente vegetal, com abstenção de todos os ingredientes de origem animal, mesmo aqueles que não resultaram diretamente na morte do animal. Pessoas que consomem frango, peixes, ovos, leite, mel, gelatina, cochonilha ou outros produtos de origem animal não são genuinamente vegetarianas.
O vegetarianismo é, portanto, um sistema de alimentação. Ele não necessariamente implica no reconhecimento dos direitos animais, podendo ser motivado por saúde, preferências pessoais, motivos religiosos e motivos ecológicos e sociais, entre outros.Confusão em relação aos termos
Veganos são necessariamente vegetarianos, mas vegetarianos não são necessariamente veganos. A diferença encontra-se precisamente na motivação ideológica e no modo de vida. Vegetarianos não necessariamente boicotam cosméticos testados em animais, deixam de utilizar couro ou opõem-se ao uso de animais em outras formas de exploração.
Há uma confusão em relação aos termos “vegetariano” e “vegetarianismo”. Muitas pessoas sem conhecimento aprofundado sobre o assunto associam-nos a correntes dietéticas como o naturalismo e a macrobiótica; ou consideram que vegetarianos são aqueles que se abstém do consumo da carne vermelha, mas que podem consumir a carne branca, ovos, leite, mel, etc.
Vegetarianos alimentam-se exclusivamente de alimentos de origem vegetal: cereais, grãos, verduras, legumes, frutas, sementes e nozes. Embora cogumelos e leveduras não sejam taxonomicamente vegetais, eles são biológica e popularmente associados a vegetais e podem ser consumidos por vegetarianos.
A dieta vegetariana é adequada para satisfazer as necessidades humanas de proteínas, lipídeos, carboidratos, minerais e para a grande maioria das vitaminas. O vegetarianismo pode, igualmente, ser praticado por pessoas em todas as fases de sua vida: crianças, adultos, idosos, homens, mulheres, gestantes, atletas.
Porém, como na dieta convencional, os maus hábitos podem levar a carências ou excessos nutricionais. Por esse motivo faz-se necessário o consumo de alimentos em quantidade e qualidade adequados.
Vantagens da adoção do vegetarianismo
A principal motivação que leva à adoção do vegetarianismo é a ética. O vegetarianismo ético é uma forma de se alinhar comportamento alimentar com crenças e valores relativos aos direitos dos animais.
Embora essa seja a motivação, muitos são os benefícios advindos da adoção dessa corrente dietética. Muitos estudos mostram que o vegetarianismo está relacionado a uma melhor qualidade de vida e longevidade. Igualmente, vegetarianos padecem menos de diabetes, arteriosclerose, reumatismo, hipertensão, osteoporose, anemias, doenças cardíacas, doenças renais, doenças respiratórias, derrame, esclerose múltipla, alguns tipos de cânceres e obesidade, as principais causas de morte e incapacidade atualmente no mundo.
A abstenção do consumo de produtos de origem animal teria efeitos positivos também para o meio ambiente, reduzindo a pressão pela abertura de novas pastagens e campos para cultivo de alimento para animais, reduzindo o consumo de água, erosão do solo e produção de metano e outros poluentes.
Além disso, uma população vivendo de dietas vegetarianas possibilitaria o sustento de maior quantidade de pessoas em menor quantidade de terra, melhorando a distribuição de alimentos e reduzindo o problema da fome e da má distribuição de recursos.
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Sérgio Greif
Biólogo formado pela UNICAMP, mestre em Alimentos e Nutrição com tese em nutrição vegetariana pela mesma universidade, docente da MBA em Gestão Ambiental da Universidade de São Caetano do Sul, ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais. Co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável", além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas. Realiza palestras nesse mesmo tema. Membro fundador da Sociedade Vegana.
01/10 - Dia Mundial do VEGETARIANISMO!
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Fonte: http://www.olharanimal.net/ponto-veg/2036-textos/1478-o-que-e-vegetarianismo
Por que evitar leite e ovos?
Julho 4, 2008
(texto traduzido do antispe-site de Paris) http://veginfos.wordpress.com/2008/07/04/por-que-evitar-leite-e-ovos/
Porque devemos recusar o leite
A imagem de vacas pastando tranquilamente em pastos e se deixando alegremente ordenhar é veiculada pela indústria leiteira visando incitar as pessoas a consumirem leite.
Entretanto, esta imagem fabricada esconde uma sórdida realidade. É evidente que, para obtermos leite, não matamos as vacas. Por isso, se nos mantivermos em uma abordagem superficial do assunto, chegamos rapidamente á conclusão que, consumir produtos lácteos não implicaria sofrimentos para os animais. Infelizmente essa análise não leva em conta que, para produzir leite, é necessário que uma vaca dê a luz, como todo e qualquer mamífero e, isto, uma vez ao ano. É aí que as coisas começam a se complicar: se os produtores deixarem os bezerros mamar, a vaca controlará e freiará a descida do leite; prejudicando a produtividade. Então, o bezerro é retirado da mãe logo alguns dias depois de seu nascimento. Você já pensou no traumatismo que é inflingido á vaca, cuja ligação ao filhote não podemos negar?
Se for um bezerro fêmea, esta irá se juntar as outras vacas leiteiras. Sua primeira gravidez acontecerá quando ela tiver cerca de 2 anos; ela será novamente fecundada 3 meses após cada parto (através de inseminação artificial em cerca de 65 a 75% dos casos), a vaca será mantida em ordenha durante pelo menos 7 meses ao ano e o produtor continuará a ordenhá-la mesmo enquanto ela estiver grávida. Você pode imaginar a que ponto isto pode extenuar seu corpo cujas necessidades vitais não são de forma alguma repeitadas? Além do que, este produtivismo intensivo reduz seu potencial de vida (que normalmente é de 20 anos) a cerca de 5 anos, idade na qual ela será abatida por ter se tornado estéril ou por render pouco… Você sabia que 70% da carne bovina é proveniente das vacas leiteiras?
Por outro lado, se o bezerro for macho, seu destino dependerá da qualidade de sua carne. Se seu potencial em carnes for pobre, ele terminará virando patê para cachorros e uma parte de seu estômago será usada para fabricar o coalho destinado á fabricação de queijos. A quase totalidade dos queijos que encontramos no mercado contém carne animal (queijo = carne branca).
Se o produtor desejar produzir carne vermelha, o bezerro será enviado a unidades de engorda intensiva onde será super alimentado com cereais e mantido em um local estreito para evitar que ocorra a mínima perda de peso. Outros animais (cerca de 2 milhões de bezerros) serão enviados para criações industriais, confinados em boxes individuais que os privam de todo contato com seus congêneres e os impedem até mesmo de deitarem-se corretamente. Saiba que 90% deste tipo de confinamento é feito em locais fechados contra 10% de criadouros ao ar livre.
De toda forma, qual tenha sido o tipo de criação que tenham suportado as vacas e os bezerros, todos acabarão, sem exceção, no facão do açougueiro. A indústria leiteira é uma fornecedora direta da indústria da carne e dela não pode ser dissociada. Cada vez que você consome produtos lácteos, você envia animais ao abatedouro. Porque então continuar a consumí-los se existem substitutos como o leite de soja, o leite e arroz, o de amêndoas (também em forma de pastas , cremes e queijos) que são tão saborosos e equilibrados quanto o leite de vaca?! Temos à nossa disponibilidade substitutos que não implicam na exploração nem na morte de milhões de animais…
Se você teme uma deficiência de cálcio, saiba que a maioria dos legumes verdes, cereais integrais e até mesmo a água mineral o contém em grande quantidade.
Familiares reunidos em torno da mesa
Tamara Bauab Levai*
“[...] Palavra tristeza/ Aqui na mesa/ Para o deleite de vossa alteza [...]”
(Seychelles – À face do tempo)
Familiares reunidos em torno da mesa, com sentimentos híbridos de amor, obrigação, costume, e outros tantos. Pai, mãe, filhas, filhos, noras, cunhado, prima, namorada da prima, neto...
Uma criança pequena, ainda não totalmente civilizada, pergunta inocentemente porque o prato à sua frente tem olhos, boca e está sendo despedaçado pelo avô.
“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo não vêem.” José Saramago - Ensaio sobre a cegueira.
Vivemos em um estado de dormência moral, que nos torna cegos e apáticos a muitos comportamentos considerados “normais e naturais” por uma sociedade de cegos. Acomodados a repetição dos erros de nossos antepassados - sem questionar a maioria deles - comemoramos o nascimento do filho de um Deus "misericordioso e benevolente", celebrando a paz e a compaixão; reunidos, em família, ao redor de ossos, músculos e vísceras que ora pertenciam ao corpo de animais de outras espécies.
A mídia que serve a interesses políticos e econômicos de forma inescrupulosa manipula a maioria das pessoas, que responde com um comportamento acrítico, manifestando uma típica doença dos tempos atuais: a cegueira ética condicionada. Incapazes de enxergar a verdade que tentam esconder de nós, vivemos enganados por vontade própria, desviando o olhar daquilo que nos incomoda.
Não parece que seja um comportamento natural, que seres humanos, que se dizem racionais, mais evoluídos, espiritualizados e sensíveis, sejam coniventes com as conseqüências de suas escolhas alimentares, que acarretam o aprisionamento, a tortura, o estupro, a escravidão, o assassinato e o consumo dos corpos de outros seres também capazes de amar, sofrer, sentir medo, angústia, dor, carinho e outras infinidades de sentimentos e sensações.
As propagandas veiculadas pelos meios de comunicação em massa nos mostram, a todo instante, perus, galinhas, porcos e vacas, felizes e ansiosos de contribuírem com o sabor de nossos pratos. Por mais que a indústria da morte tente nos convencer que as vacas e galinhas vivam soltas e felizes, nenhum delas concordaria em ser assassinada para ter seu corpo consumido em uma festa religiosa para evocar a paz entre os homens.
Não há o que comemorar sentindo o cheiro da morte, sendo cúmplices desta onda de assassinato em massa, quando deveríamos estar de luto constante pela infinidade de animais mortos para saciar a fome de violência do homem.
“Quem sabe, esta cegueira não é igual às outras, assim como veio, assim poderá desaparecer. Já viria tarde para os que morreram....” Jose Saramago – Ensaio sobre a cegueira.
*Tamara Bauab Levai - Bacharel em Comunicação Social pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP, estagiária do laboratório de Síntese Orgânica IP&D - Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento - UNIVAP, especialista em Biologia Celular e Histologia Geral - Departamento de Morfologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, autora do livro "Vítimas da Ciência - Limites éticos da experimentação animal" (80 p.), técnica em terapia Ayurvédia pela School of Ayuceda & Panchakarma Kerala, South India. Palestrante e ativista pelos direitos humanos, das mulheres e dos animais. tamybec@yahoo.com.br
Fonte - http://www.gatoverde.com.br/02_00.asp?menu_cod=444&menu_cod_pai=339
O Mito da ProteínaDr. George Guimarães, nutricionista vegetariano*
- Mas de onde você tira suas proteínas?
Esta pergunta parece ser, para aquele que a faz, o único argumento necessário para enfrentar o vegetarianismo. As pessoas em nossa sociedade parecem ser obcecadas por proteína, mesmo aquelas que sequer sabem definir o significado da palavra. No entanto, a proteína é um dos nutrientes mais fáceis de serem obtidos.
Adotando-se hábitos alimentares inadequados, uma pessoa pode desenvolver uma deficiência de vitamina A, vitamina C, cálcio, mas é quase impossível desenvolver uma deficiência protéica em uma dieta caloricamente adequada. Para que possamos melhor compreender como isto acontece, devemos calcular nossas necessidades diárias de nutrientes como porcentagem de calorias.
Cada grama de proteína fornece quatro calorias. Portanto, se uma batata que pesa cem gramas fornece 75 calorias e 1,8 grama de proteína, podemos dizer que ela fornece 7,2 (1,8 vezes 4) calorias na forma de proteína, ou 9,6% (7,2 dividido por 75 vezes 100) das calorias totais na forma de proteína. Aplicando-se o mesmo cálculo ao brócolis, o trigo, o arroz, etc, obtemos os resultados vistos na tabela ao lado.
O NRC (National Research Council) é um órgão do governo americano responsável pela elaboração de guias alimentares e determinação das necessidades nutricionais do indivíduo de acordo com sua idade e estado fisiológico (*RDA). As informações por ele produzidas são utilizadas em vários países de todo o mundo, inclusive no Brasil.
Segundo o NRC, um adulto do sexo masculino requer uma ingestão diária de 2.700 calorias, onde devem se incluir 56 gramas de proteína. Estes 56 gramas de proteína representam 224 calorias das 2.700 calorias totais, ou seja, cerca de 8,3%. Para adultos do sexo feminino, a recomendação é de 2.000 calorias, onde devem ser inclusos 44 gramas de proteína, ou cerca de 8,8%. Temos então que a recomendação adotada mundialmente é de que se obtenha de 8 a 9% do total de calorias do dia na forma de proteína.
A tabela abaixo mostra claramente que os alimentos de origem vegetal fornecem muito mais do que 8% de suas calorias na forma de proteína, exceto as frutas. Se um indivíduo ingerir calorias suficientes a partir destes alimentos, ou seja, se ele ingerir, por exemplo, 2.700 calorias comendo apenas (exemplo meramente didático) batatas, brócolis e trigo durante o dia, suas necessidades protéicas serão supridas mais do que satisfatoriamente, a não ser que ele adote uma dieta baseada exclusivamente em frutas.
Deficiências Reais
Existem possibilidades de um indivíduo desenvolver uma deficiência protéica, mas estes são casos muito específicos. Uma maneira é não ingerir uma quantidade suficiente de alimentos, sejam estes de origem vegetal ou animal. A imagem de crianças desnutridas que vemos na televisão ou nas ruas é um exemplo típico de desnutrição protéico-calórica. Mas estas crianças (ou adultos) não apresentam carências exclusivamente protéicas, elas também sofrem de carências de vitaminas de A a Z, calorias, ferro, cálcio e etc.
A proteína não será um problema desde que se ingira uma quantidade suficiente de alimentos e, caso não hajam alimentos em quantidade suficiente, a proteína não será o único nutriente com que se preocupar.
Outra maneira de desenvolver uma deficiência protéica é ingerir grandes quantidades de álcool e açúcar. Ambos não contêm proteínas e são grandes fontes de calorias. Mas, novamente, estes dois "alimentos" também são pobres em todos os nutrientes (vitaminas, minerais, lipídios, carboidratos complexos) e uma deficiência protéica não será a única a se desenvolver.
Devido à suficiência - ou abundância - de proteínas nos produtos de origem vegetal, o consumo de produtos de origem animal (carnes, ovos e derivados do leite) é totalmente desnecessário para suprir nossas necessidades protéicas. O único produto de origem animal necessário à nutrição humana é o leite e este deve ser, obviamente, humano. Após o período de amamentação, como o próprio nome sugere, o leite deixa de ser necessário ao homem ou a qualquer outro mamífero. O leite materno, que vem fornecendo proteína aos humanos em fase de amamentação por milênios, fornece apenas 6% de suas calorias na forma de proteína, enquanto o leite de vaca fornece, exageradamente, 22% de suas calorias na forma de proteína.
Conteúdo Protéico de Alguns Alimentos de Origem Vegetal
ALIMENTO - CALORIAS/100 g - % CALORIAS DERIVADAS DE PROTEÍNAS
Brócolis 32 45
Broto de Alfafa 29 43
Tofú 98 34
Lentilha 340 9
Couve-Flor 41 27
Pepino 15 24
Grão-de-Bico 360 23
Feijão 337 22
Trigo 330 17
Milho 96 15
Centeio 334 14
Amêndoas 598 12
Aveia 348 11
Batata 75 10
Cenoura 42 10
Arroz Integral 358 9
Banana 85 5
Maçã 56 2
* RDA Adulto 2000 - 2700 / dia 8 - 9
A Superioridade dos Vegetais
Não somente é a proteína vegetal suficiente, mas ela é também superior à proteína animal. A carne, por exemplo, seja ela qual for, é composta por proteína, gordura e algumas vitaminas e minerais. Ela não contém um grama sequer de carboidratos ou fibras. A busca por uma quantidade exagerada de proteína leva à adoção de cardápios que são também excessivamente ricos em gorduras e extremamente pobres em fibras e carboidratos complexos. Uma dieta rica em proteínas está diretamente ligada à perda de massa óssea (osteoporose) e o consumo excessivo de gorduras é o principal fator na ocorrência da obesidade e das doenças cardiovasculares. Ao mesmo tempo, uma dieta pobre em fibras e carboidratos complexos implica na ocorrência dos mais variados problemas de saúde.
Os produtos animais são realmente mais ricos em proteína do que os produtos vegetais e isto, contrariamente à crença popular, não traz benefícios à saúde, mas sim prejuízos.
Fonte: http://www.nutriveg.com.br/
George Guimarães é nutricionista e ativista pelos direitos animais. Dedica-se à pesquisa, aconselhamento e consultoria em nutrição vegetariana em seu consultório em São Paulo, onde dirige a NUTRIVEG Consultoria em Nutrição Vegetariana, além de dirigir as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegano, onde promove cursos e eventos com o objetivo de difundir o veganismo. Também ministra cursos e palestras sobre o tema da nutrição vegetariana e veganismo em universidades e para o público em geral. Além da faculdade de nutrição, sua formação em nutrição vegetariana se deu por estudo próprio e pela participação em congressos científicos e conferências voltadas ao tema no exterior. Tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Seja no consultório, na colaboração em estudos científicos ou nos restaurantes que dirige, todas as suas atividades profissionais são voltadas à difusão do veganismo e dos direitos animais. Desde 2006 dirige o VEDDAS, grupo que tem ganhado destaque no movimento de defesa animal. Vegetariano desde os 4 anos de idade e vegano há 16 anos, é conselheiro consultivo do Instituto Abolicionista Animal e membro-fundador da Sociedade Vegana (2010).
NUTRIVEG: http://www.nutriveg.com.br VEDDAS: http://www.veddas.org.br/ VEGETHUS: http://www.vegethus.com.br/
Culinária - Receitas
- VegeTV http://www.vegetv.com.br/
- Revista dos Vegetarianos http://www.europanet.com.br/vegetarianos/
- Guia Vegano http://www.guiavegano.com/
Sérgio Greif
23 Setembro 2011 - Olhar Animal - 01/10 Dia Mundial do VEGETARIANISMO!
Vegetarianismo é a corrente dietética que estipula a alimentação exclusivamente vegetal, com abstenção de todos os ingredientes de origem animal, mesmo aqueles que não resultaram diretamente na morte do animal. Pessoas que consomem frango, peixes, ovos, leite, mel, gelatina, cochonilha ou outros produtos de origem animal não são genuinamente vegetarianas.
O vegetarianismo é, portanto, um sistema de alimentação. Ele não necessariamente implica no reconhecimento dos direitos animais, podendo ser motivado por saúde, preferências pessoais, motivos religiosos e motivos ecológicos e sociais, entre outros.Confusão em relação aos termos
Veganos são necessariamente vegetarianos, mas vegetarianos não são necessariamente veganos. A diferença encontra-se precisamente na motivação ideológica e no modo de vida. Vegetarianos não necessariamente boicotam cosméticos testados em animais, deixam de utilizar couro ou opõem-se ao uso de animais em outras formas de exploração.
Há uma confusão em relação aos termos “vegetariano” e “vegetarianismo”. Muitas pessoas sem conhecimento aprofundado sobre o assunto associam-nos a correntes dietéticas como o naturalismo e a macrobiótica; ou consideram que vegetarianos são aqueles que se abstém do consumo da carne vermelha, mas que podem consumir a carne branca, ovos, leite, mel, etc.
Uma outra definição errônea de “vegetarianismo” é aquela que cria uma classificação artificial que permite estratificar vegetarianos de acordo com os alimentos de origem animal que eles consomem ou deixam de consumir. Vegetarianos são definidos, assim, como pessoas que apenas não comem carnes de animal algum, podendo porém consumir leite (lacto-vegetarianos), ovos (ovo-vegetarianos), ovos e leite (ovo-lacto vegetarianos), mel (api-vegetarianos), além dos vegetarianos estritos que são tratados como “veganos”.
Nenhuma dessas classificações tem razão de ser. “Vegetarianismo” implica em abstenção e qualquer pessoa que não se abstenha não poderá ser chamada vegetariana.
Há, no entanto, um entendimento de que determinadas práticas podem levar uma pessoa a adoção do vegetarianismo. Praticamente todos os vegetarianos que não nasceram nessa condição passaram por um período maior ou menor em que abstiveram-se de determinados produtos de origem animal enquanto continuaram o consumo de outros.
Podemos considerar que uma pessoa que não consuma carne vermelha com frequência, mas esteja pensando no futuro abandonar também o consumo de frangos, peixes, ovos e leite; ou uma pessoa que já não consuma carne de nenhum tipo, mas ainda consuma ovos e leite, e que planeje em um futuro próximo tornar-se de fato vegetariana seja uma protovegetariana.
No entanto, o emprego desse termo “protovegetariano” deve ser realizado com cautela, pois em muitos casos a pessoa pode abandonar o consumo de carne vermelha mas aumentar em muito seu consumo de peixe; ou pode compensar o não consumo de carne de nenhum tipo com a adição de maior quantidade de laticínios à sua dieta. Há “ovo-lacto” convictos que sequer consideram a possibilidade de se tornarem vegetarianos. Nesse caso não há uma tendência ao vegetarianismo, pelo contrário.
Entende-se que o que se convencionou chamar de “ovo-lacto vegetarianismo” seja uma importante fase de transição em direção ao vegetarianismo, mas se a intenção do praticante não for a adoção do vegetarianismo a adoção dessa prática dietética não tem qualquer razão de ser. Ela não é compatível com os direitos animais, nem com um melhor estado de saúde, nem com a preservação de áreas naturais, nem com a melhor distribuição de alimentos. Trata-se apenas de uma preferência pessoal, sem qualquer ideologia associada.
O vegetarianismo pode estar associado ou não a outras práticas dietéticas. Assim, existem vegetarianos que são macrobióticos, vegetarianos que são crudivoristas, vegetarianos naturalistas, frutarianos. Embora em nível individual essas práticas possam se associar, elas não estão atreladas. Há, por exemplo, macrobióticos, naturalistas e crudivoristas que consomem produtos de origem animal e vegetarianos que consomem alimentos processados.
De que se alimentam os vegetarianos?
Nenhuma dessas classificações tem razão de ser. “Vegetarianismo” implica em abstenção e qualquer pessoa que não se abstenha não poderá ser chamada vegetariana.
Há, no entanto, um entendimento de que determinadas práticas podem levar uma pessoa a adoção do vegetarianismo. Praticamente todos os vegetarianos que não nasceram nessa condição passaram por um período maior ou menor em que abstiveram-se de determinados produtos de origem animal enquanto continuaram o consumo de outros.
Podemos considerar que uma pessoa que não consuma carne vermelha com frequência, mas esteja pensando no futuro abandonar também o consumo de frangos, peixes, ovos e leite; ou uma pessoa que já não consuma carne de nenhum tipo, mas ainda consuma ovos e leite, e que planeje em um futuro próximo tornar-se de fato vegetariana seja uma protovegetariana.
No entanto, o emprego desse termo “protovegetariano” deve ser realizado com cautela, pois em muitos casos a pessoa pode abandonar o consumo de carne vermelha mas aumentar em muito seu consumo de peixe; ou pode compensar o não consumo de carne de nenhum tipo com a adição de maior quantidade de laticínios à sua dieta. Há “ovo-lacto” convictos que sequer consideram a possibilidade de se tornarem vegetarianos. Nesse caso não há uma tendência ao vegetarianismo, pelo contrário.
Entende-se que o que se convencionou chamar de “ovo-lacto vegetarianismo” seja uma importante fase de transição em direção ao vegetarianismo, mas se a intenção do praticante não for a adoção do vegetarianismo a adoção dessa prática dietética não tem qualquer razão de ser. Ela não é compatível com os direitos animais, nem com um melhor estado de saúde, nem com a preservação de áreas naturais, nem com a melhor distribuição de alimentos. Trata-se apenas de uma preferência pessoal, sem qualquer ideologia associada.
O vegetarianismo pode estar associado ou não a outras práticas dietéticas. Assim, existem vegetarianos que são macrobióticos, vegetarianos que são crudivoristas, vegetarianos naturalistas, frutarianos. Embora em nível individual essas práticas possam se associar, elas não estão atreladas. Há, por exemplo, macrobióticos, naturalistas e crudivoristas que consomem produtos de origem animal e vegetarianos que consomem alimentos processados.
De que se alimentam os vegetarianos?
Vegetarianos alimentam-se exclusivamente de alimentos de origem vegetal: cereais, grãos, verduras, legumes, frutas, sementes e nozes. Embora cogumelos e leveduras não sejam taxonomicamente vegetais, eles são biológica e popularmente associados a vegetais e podem ser consumidos por vegetarianos.
A dieta vegetariana é adequada para satisfazer as necessidades humanas de proteínas, lipídeos, carboidratos, minerais e para a grande maioria das vitaminas. O vegetarianismo pode, igualmente, ser praticado por pessoas em todas as fases de sua vida: crianças, adultos, idosos, homens, mulheres, gestantes, atletas.
Porém, como na dieta convencional, os maus hábitos podem levar a carências ou excessos nutricionais. Por esse motivo faz-se necessário o consumo de alimentos em quantidade e qualidade adequados.
Vantagens da adoção do vegetarianismo
A principal motivação que leva à adoção do vegetarianismo é a ética. O vegetarianismo ético é uma forma de se alinhar comportamento alimentar com crenças e valores relativos aos direitos dos animais.
Embora essa seja a motivação, muitos são os benefícios advindos da adoção dessa corrente dietética. Muitos estudos mostram que o vegetarianismo está relacionado a uma melhor qualidade de vida e longevidade. Igualmente, vegetarianos padecem menos de diabetes, arteriosclerose, reumatismo, hipertensão, osteoporose, anemias, doenças cardíacas, doenças renais, doenças respiratórias, derrame, esclerose múltipla, alguns tipos de cânceres e obesidade, as principais causas de morte e incapacidade atualmente no mundo.
A abstenção do consumo de produtos de origem animal teria efeitos positivos também para o meio ambiente, reduzindo a pressão pela abertura de novas pastagens e campos para cultivo de alimento para animais, reduzindo o consumo de água, erosão do solo e produção de metano e outros poluentes.
Além disso, uma população vivendo de dietas vegetarianas possibilitaria o sustento de maior quantidade de pessoas em menor quantidade de terra, melhorando a distribuição de alimentos e reduzindo o problema da fome e da má distribuição de recursos.
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Sérgio Greif
Biólogo formado pela UNICAMP, mestre em Alimentos e Nutrição com tese em nutrição vegetariana pela mesma universidade, docente da MBA em Gestão Ambiental da Universidade de São Caetano do Sul, ativista pelos direitos animais, vegano desde 1998, consultor em diversas ações civis publicas e audiências públicas em defesa dos direitos animais. Co-autor do livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e autor de "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável", além de diversos artigos e ensaios referentes à nutrição vegetariana, ao modo de vida vegano, aos direitos ambientais, à bioética, à experimentação animal, aos métodos substitutivos ao uso de animais na pesquisa e na educação e aos impactos da pecuária ao meio ambiente, entre outros temas. Realiza palestras nesse mesmo tema. Membro fundador da Sociedade Vegana.
01/10 - Dia Mundial do VEGETARIANISMO!
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Fonte: http://www.olharanimal.net/ponto-veg/2036-textos/1478-o-que-e-vegetarianismo
Por que evitar leite e ovos?
Julho 4, 2008
(texto traduzido do antispe-site de Paris) http://veginfos.wordpress.com/2008/07/04/por-que-evitar-leite-e-ovos/
Porque devemos recusar o leite
A imagem de vacas pastando tranquilamente em pastos e se deixando alegremente ordenhar é veiculada pela indústria leiteira visando incitar as pessoas a consumirem leite.
Entretanto, esta imagem fabricada esconde uma sórdida realidade. É evidente que, para obtermos leite, não matamos as vacas. Por isso, se nos mantivermos em uma abordagem superficial do assunto, chegamos rapidamente á conclusão que, consumir produtos lácteos não implicaria sofrimentos para os animais. Infelizmente essa análise não leva em conta que, para produzir leite, é necessário que uma vaca dê a luz, como todo e qualquer mamífero e, isto, uma vez ao ano. É aí que as coisas começam a se complicar: se os produtores deixarem os bezerros mamar, a vaca controlará e freiará a descida do leite; prejudicando a produtividade. Então, o bezerro é retirado da mãe logo alguns dias depois de seu nascimento. Você já pensou no traumatismo que é inflingido á vaca, cuja ligação ao filhote não podemos negar?
Se for um bezerro fêmea, esta irá se juntar as outras vacas leiteiras. Sua primeira gravidez acontecerá quando ela tiver cerca de 2 anos; ela será novamente fecundada 3 meses após cada parto (através de inseminação artificial em cerca de 65 a 75% dos casos), a vaca será mantida em ordenha durante pelo menos 7 meses ao ano e o produtor continuará a ordenhá-la mesmo enquanto ela estiver grávida. Você pode imaginar a que ponto isto pode extenuar seu corpo cujas necessidades vitais não são de forma alguma repeitadas? Além do que, este produtivismo intensivo reduz seu potencial de vida (que normalmente é de 20 anos) a cerca de 5 anos, idade na qual ela será abatida por ter se tornado estéril ou por render pouco… Você sabia que 70% da carne bovina é proveniente das vacas leiteiras?
Por outro lado, se o bezerro for macho, seu destino dependerá da qualidade de sua carne. Se seu potencial em carnes for pobre, ele terminará virando patê para cachorros e uma parte de seu estômago será usada para fabricar o coalho destinado á fabricação de queijos. A quase totalidade dos queijos que encontramos no mercado contém carne animal (queijo = carne branca).
Se o produtor desejar produzir carne vermelha, o bezerro será enviado a unidades de engorda intensiva onde será super alimentado com cereais e mantido em um local estreito para evitar que ocorra a mínima perda de peso. Outros animais (cerca de 2 milhões de bezerros) serão enviados para criações industriais, confinados em boxes individuais que os privam de todo contato com seus congêneres e os impedem até mesmo de deitarem-se corretamente. Saiba que 90% deste tipo de confinamento é feito em locais fechados contra 10% de criadouros ao ar livre.
De toda forma, qual tenha sido o tipo de criação que tenham suportado as vacas e os bezerros, todos acabarão, sem exceção, no facão do açougueiro. A indústria leiteira é uma fornecedora direta da indústria da carne e dela não pode ser dissociada. Cada vez que você consome produtos lácteos, você envia animais ao abatedouro. Porque então continuar a consumí-los se existem substitutos como o leite de soja, o leite e arroz, o de amêndoas (também em forma de pastas , cremes e queijos) que são tão saborosos e equilibrados quanto o leite de vaca?! Temos à nossa disponibilidade substitutos que não implicam na exploração nem na morte de milhões de animais…
Se você teme uma deficiência de cálcio, saiba que a maioria dos legumes verdes, cereais integrais e até mesmo a água mineral o contém em grande quantidade.
Porque recusar os ovos
A ética
Se o comer galinhas e frangos claramente consiste no fato de assassinar animais, comer ovos não é condenável em si. Que ele seja fecundado ou não, o ovo evidentemente não sente nada.
Por outro lado, o ovo é um produto oriundo da exploração de um animal, ou seja, de uma galinha que, assim como nós, animais humanos, é sensível á dor. Nós não temos então o direito, assim como em relação a uma pessoa humana, de dispor de seu corpo – um corpo que sente sofrimento e prazer - nós não temos, moralmente, o direito de matar este ser. Suas condições de existência e sua vida possuem uma importância capital para si.
As condições
Apresentaremos brevemente, em ordem de intensidade de crueldade, os 3 tipos de exploração animal de onde se originam os ovos que estão á venda no comércio. Em primeiro lugar, no que podemos classificar como sendo o sumo da barbárie, se encontram os aviários em ‘batterie’ (criação intensiva): 0,045 m2 de espaço vital para cada galinha. Este tipo de criadouros representa por sí só cerca de 93% da produção total de ovos. O resto da produção “ ao ar livre” outorga 2,5 m2 para cada galinha. Em ínfima proporção encontramos os criadouros ‘libre parcours’ (percurso livre): 10m2 por galinha.
Os aviários de criação intensiva
Estas produções intensivas são verdadeiras usinas de sofrimento e de morte. As galinhas vivem amontoadas em gaiolas de ferro inclinadas para facilitar que os ovos escorreguem para o exterior. O espaço que as galinhas possuem durante toda sua vida não ultrapassam 450 cm2 (ou seja, o equivalente de uma folha A4). Dezenas de milhares de galinhas vivem assim em galpões iluminados artificialmente dia e noite, elas nunca verão o sol, nem conhecerão o repouso de uma noite escura e calma.
A superpopulação, a barulheira e a luz perpétua levam estes animais a se atacarem entre si, a se auto-mutilarem, levando-os até ao canibalismo. Para limitar as vítimas, os produtores atrofiam bicos e unhas com ferro quente, sendo que esta prática mata muitas galinhas antes de estas atingirem a idade adulta, após longas agonias.
Todos os machucados e a sujeira ambiente (as gaiolas são limpas apenas uma vez a cada dois anos) provocam infecções e doenças, o que obriga os produtores a colocarem substâncias químicas na ração animal. Os mais modernos aviários reciclam os excrementos das galinhas a fim de misturá-los aos alimentos novos. A única atividade das galinhas é comer…
Cada dia, centenas de cadáveres são retirados destes pútridos galpões onde os produtores entram somente com roupas especiais e inteiramente mascarados. Em tais condições, as galinhas não conseguem manter um alto rítimo de produção durante muitos meses. Quando se tornam menos rentáveis, elas são abatidas na idade de 18 meses (notemos que seu potencial de vida é de 10 anos) sem ter podido uma só vez ter visto o céu ou caminhar pelo solo do planeta.
A criação ao ar livre
Contrariamente ao que poderíamos pensar, este tipo de criação não é mais alegre… qualquer que seja o tipo de criação, nada muda quanto ao destino do animal. Nas criações ditas “bio” (biológicas) é a saúde do ser humano que é levada em conta. O acesso entre o galpão e o exterior é permitido ás galinhas durante 3 horas por dia; elas têm a possibilidade de andar um pouco em um estreito corredor gradeado. Neste tipo de aviário elas também não verão nem um pedaçinho de grama ou de vegetação. Os produtores, por lhes ‘permitirem’ andar um pouco têm o direito de chamarem estes animais de ‘galinhas felizes” e podem usar nas embalagens desses ovos uma foto, por exemplo, de uma bela galinha ciscando sozinha em um imenso campo verde!
A criação em livre percurso
Este tipo de criação é o menos “cruel” e benéfico do que o “sistema extensivo de criação”; ao contrário dos sistemas precedentes, que são denominados como sistemas de criação intensiva. Esta dualidade de sistemas existe também quanto à criação de vacas leiteiras e de bezerros para carne.
A regulamentação européia obriga normalmente o acesso contínuo a um terreno vasto, recoberto, pelo menos em parte, por uma vegetação. O único problema (!) é que todo tipo de criação animal os utiliza como vulgares mercadorias, como simples objetos. E, assim como nos criadouros intensivos ou ao ar livre, é obrigatório que se eliminem os animais pouco ou não produtivos.
Os ovos fecundados são separados dos outros e, desde a eclosão, os pintinhos machos são automáticamente exterminados. Em cada dois animaizinhos, um sofre ‘genocídio’. Eles serão coletivamente eletrocutados, mortos em câmaras de gaz, sufocados em sacos ou esmagados por um rolo compressor.
A conclusão
Eis porque nós recusamos consumir ovos. Ainda devemos ressaltar que nenhum alimento de origem animal é indispensável a nossa nutrição. Bem ao contrário, diversas doenças são causadas por este consumo. Pelas mesmas razões nós recusamos a carne, o couro, o leite das vacas e todas as formas de exploração animal. Nós levamos em consideração os interesses dos animais em função do que eles são: indivíduos sensíveis (à dor).
Percebemos rapidamente que nossa alimentação, assim como outras práticas, ultrapassam nossos interesses pessoais. Por essa razão, nossa responsabilidade face ao massacre e ao sofrimento animal é total.
Fontes: Que sais-je? n°374 : l’animal dans les pratiques de consommation,Alliance Végétarienne, PMAF vidéo e reportagens diversas
http://veginfos.wordpress.com/2008/07/04/por-que-evitar-leite-e-ovos/
A ética
Se o comer galinhas e frangos claramente consiste no fato de assassinar animais, comer ovos não é condenável em si. Que ele seja fecundado ou não, o ovo evidentemente não sente nada.
Por outro lado, o ovo é um produto oriundo da exploração de um animal, ou seja, de uma galinha que, assim como nós, animais humanos, é sensível á dor. Nós não temos então o direito, assim como em relação a uma pessoa humana, de dispor de seu corpo – um corpo que sente sofrimento e prazer - nós não temos, moralmente, o direito de matar este ser. Suas condições de existência e sua vida possuem uma importância capital para si.
As condições
Apresentaremos brevemente, em ordem de intensidade de crueldade, os 3 tipos de exploração animal de onde se originam os ovos que estão á venda no comércio. Em primeiro lugar, no que podemos classificar como sendo o sumo da barbárie, se encontram os aviários em ‘batterie’ (criação intensiva): 0,045 m2 de espaço vital para cada galinha. Este tipo de criadouros representa por sí só cerca de 93% da produção total de ovos. O resto da produção “ ao ar livre” outorga 2,5 m2 para cada galinha. Em ínfima proporção encontramos os criadouros ‘libre parcours’ (percurso livre): 10m2 por galinha.
Os aviários de criação intensiva
Estas produções intensivas são verdadeiras usinas de sofrimento e de morte. As galinhas vivem amontoadas em gaiolas de ferro inclinadas para facilitar que os ovos escorreguem para o exterior. O espaço que as galinhas possuem durante toda sua vida não ultrapassam 450 cm2 (ou seja, o equivalente de uma folha A4). Dezenas de milhares de galinhas vivem assim em galpões iluminados artificialmente dia e noite, elas nunca verão o sol, nem conhecerão o repouso de uma noite escura e calma.
A superpopulação, a barulheira e a luz perpétua levam estes animais a se atacarem entre si, a se auto-mutilarem, levando-os até ao canibalismo. Para limitar as vítimas, os produtores atrofiam bicos e unhas com ferro quente, sendo que esta prática mata muitas galinhas antes de estas atingirem a idade adulta, após longas agonias.
Todos os machucados e a sujeira ambiente (as gaiolas são limpas apenas uma vez a cada dois anos) provocam infecções e doenças, o que obriga os produtores a colocarem substâncias químicas na ração animal. Os mais modernos aviários reciclam os excrementos das galinhas a fim de misturá-los aos alimentos novos. A única atividade das galinhas é comer…
Cada dia, centenas de cadáveres são retirados destes pútridos galpões onde os produtores entram somente com roupas especiais e inteiramente mascarados. Em tais condições, as galinhas não conseguem manter um alto rítimo de produção durante muitos meses. Quando se tornam menos rentáveis, elas são abatidas na idade de 18 meses (notemos que seu potencial de vida é de 10 anos) sem ter podido uma só vez ter visto o céu ou caminhar pelo solo do planeta.
A criação ao ar livre
Contrariamente ao que poderíamos pensar, este tipo de criação não é mais alegre… qualquer que seja o tipo de criação, nada muda quanto ao destino do animal. Nas criações ditas “bio” (biológicas) é a saúde do ser humano que é levada em conta. O acesso entre o galpão e o exterior é permitido ás galinhas durante 3 horas por dia; elas têm a possibilidade de andar um pouco em um estreito corredor gradeado. Neste tipo de aviário elas também não verão nem um pedaçinho de grama ou de vegetação. Os produtores, por lhes ‘permitirem’ andar um pouco têm o direito de chamarem estes animais de ‘galinhas felizes” e podem usar nas embalagens desses ovos uma foto, por exemplo, de uma bela galinha ciscando sozinha em um imenso campo verde!
A criação em livre percurso
Este tipo de criação é o menos “cruel” e benéfico do que o “sistema extensivo de criação”; ao contrário dos sistemas precedentes, que são denominados como sistemas de criação intensiva. Esta dualidade de sistemas existe também quanto à criação de vacas leiteiras e de bezerros para carne.
A regulamentação européia obriga normalmente o acesso contínuo a um terreno vasto, recoberto, pelo menos em parte, por uma vegetação. O único problema (!) é que todo tipo de criação animal os utiliza como vulgares mercadorias, como simples objetos. E, assim como nos criadouros intensivos ou ao ar livre, é obrigatório que se eliminem os animais pouco ou não produtivos.
Os ovos fecundados são separados dos outros e, desde a eclosão, os pintinhos machos são automáticamente exterminados. Em cada dois animaizinhos, um sofre ‘genocídio’. Eles serão coletivamente eletrocutados, mortos em câmaras de gaz, sufocados em sacos ou esmagados por um rolo compressor.
A conclusão
Eis porque nós recusamos consumir ovos. Ainda devemos ressaltar que nenhum alimento de origem animal é indispensável a nossa nutrição. Bem ao contrário, diversas doenças são causadas por este consumo. Pelas mesmas razões nós recusamos a carne, o couro, o leite das vacas e todas as formas de exploração animal. Nós levamos em consideração os interesses dos animais em função do que eles são: indivíduos sensíveis (à dor).
Percebemos rapidamente que nossa alimentação, assim como outras práticas, ultrapassam nossos interesses pessoais. Por essa razão, nossa responsabilidade face ao massacre e ao sofrimento animal é total.
Fontes: Que sais-je? n°374 : l’animal dans les pratiques de consommation,Alliance Végétarienne, PMAF vidéo e reportagens diversas
http://veginfos.wordpress.com/2008/07/04/por-que-evitar-leite-e-ovos/
Familiares reunidos em torno da mesa
Tamara Bauab Levai*
“[...] Palavra tristeza/ Aqui na mesa/ Para o deleite de vossa alteza [...]”
(Seychelles – À face do tempo)
Familiares reunidos em torno da mesa, com sentimentos híbridos de amor, obrigação, costume, e outros tantos. Pai, mãe, filhas, filhos, noras, cunhado, prima, namorada da prima, neto...
Uma criança pequena, ainda não totalmente civilizada, pergunta inocentemente porque o prato à sua frente tem olhos, boca e está sendo despedaçado pelo avô.
“Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo não vêem.” José Saramago - Ensaio sobre a cegueira.
Vivemos em um estado de dormência moral, que nos torna cegos e apáticos a muitos comportamentos considerados “normais e naturais” por uma sociedade de cegos. Acomodados a repetição dos erros de nossos antepassados - sem questionar a maioria deles - comemoramos o nascimento do filho de um Deus "misericordioso e benevolente", celebrando a paz e a compaixão; reunidos, em família, ao redor de ossos, músculos e vísceras que ora pertenciam ao corpo de animais de outras espécies.
A mídia que serve a interesses políticos e econômicos de forma inescrupulosa manipula a maioria das pessoas, que responde com um comportamento acrítico, manifestando uma típica doença dos tempos atuais: a cegueira ética condicionada. Incapazes de enxergar a verdade que tentam esconder de nós, vivemos enganados por vontade própria, desviando o olhar daquilo que nos incomoda.
Não parece que seja um comportamento natural, que seres humanos, que se dizem racionais, mais evoluídos, espiritualizados e sensíveis, sejam coniventes com as conseqüências de suas escolhas alimentares, que acarretam o aprisionamento, a tortura, o estupro, a escravidão, o assassinato e o consumo dos corpos de outros seres também capazes de amar, sofrer, sentir medo, angústia, dor, carinho e outras infinidades de sentimentos e sensações.
As propagandas veiculadas pelos meios de comunicação em massa nos mostram, a todo instante, perus, galinhas, porcos e vacas, felizes e ansiosos de contribuírem com o sabor de nossos pratos. Por mais que a indústria da morte tente nos convencer que as vacas e galinhas vivam soltas e felizes, nenhum delas concordaria em ser assassinada para ter seu corpo consumido em uma festa religiosa para evocar a paz entre os homens.
Não há o que comemorar sentindo o cheiro da morte, sendo cúmplices desta onda de assassinato em massa, quando deveríamos estar de luto constante pela infinidade de animais mortos para saciar a fome de violência do homem.
“Quem sabe, esta cegueira não é igual às outras, assim como veio, assim poderá desaparecer. Já viria tarde para os que morreram....” Jose Saramago – Ensaio sobre a cegueira.
*Tamara Bauab Levai - Bacharel em Comunicação Social pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP, estagiária do laboratório de Síntese Orgânica IP&D - Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento - UNIVAP, especialista em Biologia Celular e Histologia Geral - Departamento de Morfologia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, autora do livro "Vítimas da Ciência - Limites éticos da experimentação animal" (80 p.), técnica em terapia Ayurvédia pela School of Ayuceda & Panchakarma Kerala, South India. Palestrante e ativista pelos direitos humanos, das mulheres e dos animais. tamybec@yahoo.com.br
Fonte - http://www.gatoverde.com.br/02_00.asp?menu_cod=444&menu_cod_pai=339
O Mito da ProteínaDr. George Guimarães, nutricionista vegetariano*
- Mas de onde você tira suas proteínas?
Esta pergunta parece ser, para aquele que a faz, o único argumento necessário para enfrentar o vegetarianismo. As pessoas em nossa sociedade parecem ser obcecadas por proteína, mesmo aquelas que sequer sabem definir o significado da palavra. No entanto, a proteína é um dos nutrientes mais fáceis de serem obtidos.
Adotando-se hábitos alimentares inadequados, uma pessoa pode desenvolver uma deficiência de vitamina A, vitamina C, cálcio, mas é quase impossível desenvolver uma deficiência protéica em uma dieta caloricamente adequada. Para que possamos melhor compreender como isto acontece, devemos calcular nossas necessidades diárias de nutrientes como porcentagem de calorias.
Cada grama de proteína fornece quatro calorias. Portanto, se uma batata que pesa cem gramas fornece 75 calorias e 1,8 grama de proteína, podemos dizer que ela fornece 7,2 (1,8 vezes 4) calorias na forma de proteína, ou 9,6% (7,2 dividido por 75 vezes 100) das calorias totais na forma de proteína. Aplicando-se o mesmo cálculo ao brócolis, o trigo, o arroz, etc, obtemos os resultados vistos na tabela ao lado.
O NRC (National Research Council) é um órgão do governo americano responsável pela elaboração de guias alimentares e determinação das necessidades nutricionais do indivíduo de acordo com sua idade e estado fisiológico (*RDA). As informações por ele produzidas são utilizadas em vários países de todo o mundo, inclusive no Brasil.
Segundo o NRC, um adulto do sexo masculino requer uma ingestão diária de 2.700 calorias, onde devem se incluir 56 gramas de proteína. Estes 56 gramas de proteína representam 224 calorias das 2.700 calorias totais, ou seja, cerca de 8,3%. Para adultos do sexo feminino, a recomendação é de 2.000 calorias, onde devem ser inclusos 44 gramas de proteína, ou cerca de 8,8%. Temos então que a recomendação adotada mundialmente é de que se obtenha de 8 a 9% do total de calorias do dia na forma de proteína.
A tabela abaixo mostra claramente que os alimentos de origem vegetal fornecem muito mais do que 8% de suas calorias na forma de proteína, exceto as frutas. Se um indivíduo ingerir calorias suficientes a partir destes alimentos, ou seja, se ele ingerir, por exemplo, 2.700 calorias comendo apenas (exemplo meramente didático) batatas, brócolis e trigo durante o dia, suas necessidades protéicas serão supridas mais do que satisfatoriamente, a não ser que ele adote uma dieta baseada exclusivamente em frutas.
Deficiências Reais
Existem possibilidades de um indivíduo desenvolver uma deficiência protéica, mas estes são casos muito específicos. Uma maneira é não ingerir uma quantidade suficiente de alimentos, sejam estes de origem vegetal ou animal. A imagem de crianças desnutridas que vemos na televisão ou nas ruas é um exemplo típico de desnutrição protéico-calórica. Mas estas crianças (ou adultos) não apresentam carências exclusivamente protéicas, elas também sofrem de carências de vitaminas de A a Z, calorias, ferro, cálcio e etc.
A proteína não será um problema desde que se ingira uma quantidade suficiente de alimentos e, caso não hajam alimentos em quantidade suficiente, a proteína não será o único nutriente com que se preocupar.
Outra maneira de desenvolver uma deficiência protéica é ingerir grandes quantidades de álcool e açúcar. Ambos não contêm proteínas e são grandes fontes de calorias. Mas, novamente, estes dois "alimentos" também são pobres em todos os nutrientes (vitaminas, minerais, lipídios, carboidratos complexos) e uma deficiência protéica não será a única a se desenvolver.
Devido à suficiência - ou abundância - de proteínas nos produtos de origem vegetal, o consumo de produtos de origem animal (carnes, ovos e derivados do leite) é totalmente desnecessário para suprir nossas necessidades protéicas. O único produto de origem animal necessário à nutrição humana é o leite e este deve ser, obviamente, humano. Após o período de amamentação, como o próprio nome sugere, o leite deixa de ser necessário ao homem ou a qualquer outro mamífero. O leite materno, que vem fornecendo proteína aos humanos em fase de amamentação por milênios, fornece apenas 6% de suas calorias na forma de proteína, enquanto o leite de vaca fornece, exageradamente, 22% de suas calorias na forma de proteína.
Conteúdo Protéico de Alguns Alimentos de Origem Vegetal
ALIMENTO - CALORIAS/100 g - % CALORIAS DERIVADAS DE PROTEÍNAS
Brócolis 32 45
Broto de Alfafa 29 43
Tofú 98 34
Lentilha 340 9
Couve-Flor 41 27
Pepino 15 24
Grão-de-Bico 360 23
Feijão 337 22
Trigo 330 17
Milho 96 15
Centeio 334 14
Amêndoas 598 12
Aveia 348 11
Batata 75 10
Cenoura 42 10
Arroz Integral 358 9
Banana 85 5
Maçã 56 2
* RDA Adulto 2000 - 2700 / dia 8 - 9
A Superioridade dos Vegetais
Não somente é a proteína vegetal suficiente, mas ela é também superior à proteína animal. A carne, por exemplo, seja ela qual for, é composta por proteína, gordura e algumas vitaminas e minerais. Ela não contém um grama sequer de carboidratos ou fibras. A busca por uma quantidade exagerada de proteína leva à adoção de cardápios que são também excessivamente ricos em gorduras e extremamente pobres em fibras e carboidratos complexos. Uma dieta rica em proteínas está diretamente ligada à perda de massa óssea (osteoporose) e o consumo excessivo de gorduras é o principal fator na ocorrência da obesidade e das doenças cardiovasculares. Ao mesmo tempo, uma dieta pobre em fibras e carboidratos complexos implica na ocorrência dos mais variados problemas de saúde.
Os produtos animais são realmente mais ricos em proteína do que os produtos vegetais e isto, contrariamente à crença popular, não traz benefícios à saúde, mas sim prejuízos.
Fonte: http://www.nutriveg.com.br/
George Guimarães é nutricionista e ativista pelos direitos animais. Dedica-se à pesquisa, aconselhamento e consultoria em nutrição vegetariana em seu consultório em São Paulo, onde dirige a NUTRIVEG Consultoria em Nutrição Vegetariana, além de dirigir as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegano, onde promove cursos e eventos com o objetivo de difundir o veganismo. Também ministra cursos e palestras sobre o tema da nutrição vegetariana e veganismo em universidades e para o público em geral. Além da faculdade de nutrição, sua formação em nutrição vegetariana se deu por estudo próprio e pela participação em congressos científicos e conferências voltadas ao tema no exterior. Tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Seja no consultório, na colaboração em estudos científicos ou nos restaurantes que dirige, todas as suas atividades profissionais são voltadas à difusão do veganismo e dos direitos animais. Desde 2006 dirige o VEDDAS, grupo que tem ganhado destaque no movimento de defesa animal. Vegetariano desde os 4 anos de idade e vegano há 16 anos, é conselheiro consultivo do Instituto Abolicionista Animal e membro-fundador da Sociedade Vegana (2010).
NUTRIVEG: http://www.nutriveg.com.br VEDDAS: http://www.veddas.org.br/ VEGETHUS: http://www.vegethus.com.br/
Culinária - Receitas
- VegeTV http://www.vegetv.com.br/
- Revista dos Vegetarianos http://www.europanet.com.br/vegetarianos/
- Guia Vegano http://www.guiavegano.com/